domingo, 9 de outubro de 2011

Um ano sem Churu... e um mês sem Capitu

exatamente um ano perdíamos o Churumela, um dos 4 gatos que viviam aqui em casa.

Acho válido dizer que eu já estava na metade de um texto muito longo e detalhado, que relembrava em detalhes o que aconteceu, quando decidi apagar tudo e começar do zero. Acho que a maioria das pessoas que freqüenta o blog já conhece a história de trás pra frente ou vivenciou de perto todo o drama, então achei desnecessário revisitar lembranças bastante dolorosas.

Basta saber que o perdemos em pouco menos de um mês, apesar de todos os esforços para achar uma eventual cura (até uma veterinária em São Paulo foi consultada). Ao fim do processo e com todas as alternativas esgotadas, sendo que ele já estava bastante debilitado (não comia mais, não evacuava, tinha perdido muito peso, os tumores pipocavam pelo corpo, enfim, uma tristeza só), tomamos uma das decisões mais difíceis que já tive que tomar: resolvemos sacrificá-lo. Apesar da tristeza monumental, sentimos um certo alívio em saber que ele finalmente estava livre de tanto sofrimento e dor. Embora seja impossível de afirmar com 100% de certeza, eu diria que doeu mais na gente do que nele. Estávamos presentes até o último segundo e ele se foi em paz; dormiu profundamente para não mais acordar...

No mais, um ano depois, ainda sinto muita tristeza ao lembrar disso tudo, mas tento focar no essencial: as boas lembranças.




...e há um mês, perdíamos a Capitu...

Num processo muito semelhante (infecção, tumores, mil medicamentos, exames, veterinários e enfim a constatação de que não havia o que fazer), também perdemos nossa cadelinha Capitu, há um mês. É no mínimo curioso passar por uma situação análoga quase que exatamente um ano depois. Diferente do Churu, a Capitu morreu em casa, na manhã do dia 8 de Setembro depois de 13 anos conosco. Ainda me bate um aperto no coração ao olhar pro local onde ficava a casinha dela e não ver nada por lá ou chegar em casa e ver a garagem vazia, onde ela costumava vir com a cauda (ou 'cotoco' já que ela nunca teve cauda) abanando.


Essa é uma das 'esculturas' da Capitu. Ela fazia esses desenhos com a ração, quase que diariamente. Era incrível!
Capitu: uma esCÃltora de primeira! :P
No fundo a gente sabe que 'é a vida', 'que é o curso natural das coisas' e que realmente 'não há o que fazer', etc, etc, etc, mas conviver com esses animais diariamente durante anos como se fossem parte da família e em algum momento ter que encarar essa despedida forçada é bastante difícil.

R.I.P. Churu e Capitu...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Postergar é preciso...

Há algum tempo tenho uma irritação chata no olho direito, principalmente quando estou jogando. Na minha mente distorcida, tratava-se de uma irritação causada pela tela, pela taxa de atualização do vídeo, pelos meus óculos vencidos, sei lá. Só sei que o olho começava a incomodar demais depois de alguns minutos olhando para um ponto fixo e eu sempre tinha um colírio a mão. Fora isso, pouco incomodava. Sério!

Porém hoje acordei com esse mesmo olho incomodando demais. Achei que fosse a mesma irritação e pinguei o colírio como de costume, mas a dor e a ardência só aumentavam. Lá pelas quatro da tarde eu pedi arrego e liguei pro consultório do médico pedindo uma consulta de emergência. O olho estava ardendo MESMO, e eu achei que fosse algo sério.

Quando finalmente chegou a minha vez de ser atendido, expliquei que tinha esse incômodo no olho direito há meses (senão anos, faz muito tempo) e achava que se tratavam dos meus óculos vencidos. O médico foi enfático e disse que óculos vencidos não causavam isso, mas que deveria ser um problema no olho.

Qual não foi a minha surpresa (e a do médico) durante o exame quando ele achou um pedaço de alguma coisa dentro do meu olho. De fato, não seria surpresa alguma se o olho não incomodasse há MESES (ou anos, não sei precisar). Ele retirou o corpo estranho, me deu um tapinha nas costas e falou:

- Parabéns, hein? Agüentou bastante tempo...

Será? O olho ainda está bem machucado e ainda dói um pouco, mas muito menos do que antes da consulta. Vou esperar o final-de-semana, senão volto lá. Mas se for isso mesmo, eu ganho o troféu de postergador da década!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Desçam das colinas: finalmente acabou o Rock In Rio!

Um dia após a última noite do Rock In Rio e os 'roqueiros' de plantão, que passaram as duas últimas semanas no seus esconderijos e 'abrigos anti-RiR', respiram aliviados.

Existem algumas opiniões que chegam a ser redundantes: falar que o festival é um tremendo caça-níqueis, dizer que o festival não tem rock, que o fato de termos cantores de Axé e música Pop vai contra o nome e o conceito do festival... mas isso tudo faz parte do jogo, afinal está tudo ali: a venda de uma marca, de um conceito pasteurizado de rebeldia; a necessidade de se pagar o investimento brutal em estrutura com a venda certa de 100, 200 mil ingressos por noite; a pressão dos patrocinadores, dos anunciantes, dos canais de TV que transmitem todo o circo em agradar o seu ou seus públicos-alvo; as polêmicas fabricadas (alguém aí falou Lobão, Carlinhos Brown e Claudia Leitte?).

Também já é de se esperar transmissões e matérias tacanhas nos meios de comunicação, onde gente que não sabe absolutamente nada sobre o assunto se mete a dar opinião. E isso vem de longe: desde o primeiro Rock In Rio, em 1985, somos presenteados com pérolas e mais pérolas de jornalistas incompetentes, desinteressados ou simplesmente mal-intencionados.

Quem aqui não se lembra de Gloria Maria dando um passeio pelo palco do Iron Maiden e falando dos motivos 'satânicos' no palco (sendo que nesta época o palco da banda era decorado com motivos egípcios, por conta do disco Powerslave), ou da entrevista bizonha que ela fez com Freddie Mercury, do Queen.



E o que falar do "global" Márcio Garcia, narrando e comentando o show do Iron Maiden em 2001: "Iron Maiden... Donzela de Ferro... instrumento de tortura medieval... sinistro..." ou "...e o baterista Nicko MC (pronunciando o nome como se pronuncia o nome de um rapper) Brain...". Ou então de outra global, Bruna Lombardi, antes da entrada de Rob Halford no palco, dizendo que 'entendia essas pessoas, afinal elas devem ter tido um infância bem difícil'.

O Rock In Rio é no fim-das-contas um circo, onde desfilam celebridades, pseudo-celebridades, aspirantes à celebridade, cantores de terceira e grupos de terceira... pra essa gente, o festival é apenas mais uma chance de aparecer, de vender sua imagem, de vender seus produtos...

Se já não fosse difícil o suficiente lidar com tudo isso, ainda tem mais. Embora o festival esteja recheado de música Pop da pior espécie, até existem algumas bandas de rock ou metal no festival, mas isso não quer dizer muito. Por isso mesmo, passei as duas últimas semanas fazendo questão absoluta de ignorar notícias, transmissões e matérias sobre o festival. Você adota essa postura e se esquiva do assunto sempre que pode, e mantém uma atitude discreta com relação ao seu interesse por esse tipo de música... porém, mesmo fazendo isso ainda existe uma conexão.

Você é roqueiro (ou pelos menos as pessoas te enxergam assim). O seu cabelo comprido e o fato de você tocar guitarra/bateria e ter uma banda só piora a situação. Mesmo que você não se encaixe no perfil descrito, se você alguma vez disse que curtia rock, foi visto com uma camiseta de banda, ou até mesmo ouvindo rock, já era. Você está marcado. A partir daí é natural que você seja associado ao festival e às bandas. E o que há de tão mau nisso?

Todo mundo então começa a te parar e perguntar se você vai. Quando você diz que não vai, pois o festival não te interessa, tome agüentar reações de espanto ou incompreensão. Piora quando você se mete a explicar, passando por chato e mal-humorado. Vai por mim, experiência própria: meses atrás uma conhecida me perguntou no chat do Facebook se eu iria e quando comecei a explicar o porque de não ir, ela simplesmente saiu do chat, sem antes falar que eu era muito chato com relação à música. Grande novidade...

E como lidar então com aquelas pessoas que não curtem, mas que entendem de rock superficialmente, e que vem te perguntar do Metallica, Guns and Roses, Slipknot, Evanescence... novamente, você responde de forma educada e tenta explicar que o Metallica e Guns já eram, que o Slipknot é uma banda de várzea e que de horripilantes eles não tem nada; você ainda explica o quão chato Evanescence é, e como a voz da Amy Lee é ardida e irritante e que não ouve nenhuma dessas bandas. Você recebe então um olhar condescendente enquanto lê a expressão no rosto da pessoa que diz: "Nossa, que cara chato e babaca"!

E fica pior: ruim mesmo é lidar com os fãs xiitas, aqueles que sabem que você gosta ou pelo menos gostava de algumas bandas: fãs que não conseguiram aceitar o fato do Metallica hoje ser uma banda cover, e uma banda cover ruim, da mesma banda que eles costumavam ser há 20 anos; fãs dos Guns que não sacaram que o que sobrou foi apenas uma banda solo do Axl Rose... E adianta de alguma coisa? Nada, você continua sendo o mala-sem-alça que não curte nada. E pra essas pessoas não passa de um poser, um traidor, já que os verdadeiros fãs apoiam as bandas, enquanto tentam te convencer que essas bandas evoluíram, etc, etc, etc. Sei...

Agora o pior mesmo é agüentar gente que não ouve ou nunca ouviu rock e que compra o 'pacote de rebeldia' e enche o seu saco interminavelmente. Gente que veste uma camiseta preta e sai nas fotos fazendo chifrinhos com as mãos e mostrando a língua, achando que estão cheios de 'atitude'. Gente que do nada passa a falar, com grande entusiasmo, dos shows que vai assistir ou ao vivo ou pela TV, mesmo não conhecendo quase nada da banda ou bandas em questão. Essas mesmas pessoas, que daqui a quize dias estarão na micareta ou no forró mais próximo, são as primeiras a te perguntar 'COMO você NÃO assistiu ao show do Metallica na TV ontem?' e a apontar como o show foi 'do caralho'. Ó céus, haja saco...

No mais fico aliviado da mídia voltar ao seu normal: falem da Claudia Leitte, da Ivete Sangalo, das novelas, do campeonato brasileiro... por favor, esqueçam o rock, os roqueiros, finjam que não existimos, ok? E que o senhor Roberto Medina só volte a se lembrar do 'rock' daqui uns 10 anos, para que fiquemos em paz até o 'Rock In Rio 2021'.

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Cthulhu
Homem, 31 anos, Músico, Professor, Hardcore Gamer. STR 9 INT 12 WIS 10 DEX 11 CON 5 CHR 14
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